Amarrotado”

 

 

É quinem

Papel grande,

Que a gente guarda,

em bolso pequeno.

Quanto mais o tempo passa

Guardado, amor

não passa

Ele só

… se amassa!

 

 

 

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An’ceia

 

Estive lá, éramos treze ao todo. As mulheres nos faziam às vezes da ceia. Ele estava no meio. Estranho porque nunca sentou ali. Aquele dia todo, havia feito coisas estranhas. Mais cedo pela manhã, irritou-se com uma criança que lhe esbarrou, manchando-lhe a túnica, de ocre vermelho. Pareceu outro, talvez aquilo teria lhe soado como um mau presságio, um anúncio, ou uma intimação. E quando a tarde um de nós se ausentou por algumas horas, mais uma vez ele mostrou-se alterado, outro novamente. retrucava: -Onde foi aquele um que ao regresso, antecede-lhe o crepúsculo? Estávamos nos preparando para a ceia, e enquanto esperávamos a mesa, as mulheres  terminarem os preparos, todos, conversávamos, exceto ele. Contemplava sozinho alguma dúvida ou certeza, o que provavelmente seria motivo de sua alteridade durante aquele dia. A hora da ceia quando as mulheres iam nos servir o cordeiro, ofegante, adentra o um, adiantado  do crepúsculo. Todos pararam de conversar, ambos pareceram assustados. Ele que o esperava mais que todos nós, e o um, que parecia ter adentrado à porta errada. Como estivesse em casa de estranho. Estranho isto; o um, ofegante e perdido de seu destino. Ele assustado com o súbito de sua chegada. Para além disso, um cordeiro imolado sobre a mesa. Ele pareceu completamente transtornado, a calma que talvez tivera encenado durante todo dia, desmanchou-se ali, como a massa de um pão muito fino na ávida saliva da boca de um mendicante. Como estivesse diante de martírio tremendamente gigante, e era só um cordeiro.